MANIFESTO 1 – O MELHOR ARTISTA DO MUNDO SANCHES

Manifesto 1 – O melhor artista do mundo

Publicado: 22/04/2019


  • 22/04/2019 - São Paulo, por SANCHES @sanch33s - Artista plástico e fundador da FILADELFIO

MANIFESTO 1 – O MELHOR ARTISTA DO MUNDO.


“Os dois dias mais importantes da sua vida são: o dia em que você nasceu, e o dia em que você descobre o porquê.” - Mark Twain

Apesar do meu primeiro trabalho artístico ser de 1996, foi com 22 anos que descobri exatamente o porque de ter vindo a esse mundo: para ser um artista multidisciplinar. Após entender que esse sentimento era puro e verdadeiro, um súbito e incondicional sonho tomou conta de mim: Ser o melhor artista do mundo.

Esse sonho me motivou, me fez entender o quão eu precisava estudar para alcançar aquele posto, o quão eu precisava trabalhar para chegar lá, me trouxe a percepção de que a estrada era longa e a clareza das coisas que eu precisaria abdicar para alcançar esse lugar.

Foi então que começaram a surgir os ônus dessa busca: A comparação do meu backstage com o palco dos melhores artistas do mundo era constante, a cobrança que exercia em mim chegou a patamares que me desgastavam, crises de desmotivação e ansiedade começaram a se tornar extremamente presentes culminando em bloqueios criativos e, por algumas vezes, vontade de desistir.

Ali percebi que estava chegando no meu limite, percebi que os próximos passos dessa busca implacável poderiam ser perigosos: aumento do consumo de álcool, sabotagem de relacionamentos, batalhas sangrentas comigo mesmo, competição invejosa com meus colegas de trabalho, arrogância e escuridão. Recusei, mudei a rota.

É normalmente nesse ponto em que as pessoas começam a pirar, enlouquecidos e esmagados pelo peso, estranheza e complexidade de seus dons. O idealismo em ser o melhor do mundo naquilo que fazemos é muita pressão para nós meros mortais, por mais talentosos que sejamos. Eu não estava lá para poder cravar essa informação, mas acredito que muitos de nossos heróis que, como diria cazuza, morreram de overdose, sofreram desse mal.

A busca incessante para estar na posição de melhor do mundo pressupõe a existência de um “topo” e sugere que alcançar esse topo e nele ficar, é o único motivo para criar. Não é. O caminho dessa estrada traça paralelos entre sucesso e fracasso, vitória e derrota, comparação e competição, unidades vendidas e influência exercida, essa lógica pressupõe que precisamos ser vitoriosos contra nossos pares e as versões anteriores de nós mesmos. Não foi pra isso que vim a esse mundo.

Foi então que decidi deixar de ser o melhor artista do mundo para ser o artista que melhor fazia bem a mim. Isso não quer dizer que comecei a trabalhar menos ou que não tenho mais propósitos ou metas, significa que comecei a depositar confiança na leveza e flexibilidade de minha habilidade criativa. Me desvencilhei das amarras competitivas impostas pela sociedade para ser aquilo que verdadeiramente me completa, na quantidade e velocidade que me faz bem.

Abraçar relacionamentos saudáveis para não me deixar distrair por catástrofes emocionais que eu mesmo inventei me fizeram mais leve, Medir o valor do meu trabalho com base na dedicação ao processo me fizeram esquecer projeções de sucesso e fracasso, diminuir drasticamente os copos de gin e as festas intermináveis mantiveram minha mente mais aguçada, apoiar e ajudar outras pessoas em seus esforços e trabalhos criativos passou a me completar de uma maneira que nunca havia sentido, me levando a reconhecer que há sim espaço para todos dentro de minha área  de trabalho.

Confesso ainda lutar contra meus demônios, mas hoje travo essa batalha com espiritualidade, evolução emocional e humildade. Porque no fim das contas, aquilo que vim fazer nesse mundo só fará diferença aos outros se for um verdadeiro e constante processo de evolução, pois evoluir é ativismo primordial.


 

 

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